Se tem uma cidade que consegue misturar passado e presente de um jeito quase improvável, essa cidade é Atenas.
Confesso que antes da viagem eu imaginava encontrar apenas ruínas, museus e muita história. Mas bastaram algumas horas caminhando pelas ruas para perceber que Atenas é muito mais do que isso. É uma cidade vibrante, cheia de cafés escondidos, bairros descolados, mercados, mirantes e tavernas onde os próprios gregos passam horas conversando sem pressa.
Eu e o Felipe tivemos 1 dia inteiro em Atenas, mas poderíamos facilmente ficar mais 1 ou 2 dias para aprofundar mais nossa visita à cidade. Uma das coisas que a gente mais gostou, foi caminhar sem rumo pelas ruelas entre um ponto turístico e outro – o que fez com que Atenas superasse de longe nossas expectativas.
Fizemos nossa viagem no final de Março, e Atenas foi o ponto de partida para uma viagem de carro ao longo da Grécia continente (incluindo Península do Peloponeso, Delfos, Meteora e Thessaloniki). A temperatura estava bem agradável e foi tranquilo seguir o roteiro a pé em Atenas, passando pelos principais pontos de visitação.
Nós nos hospedamos em um hotel que fica fora do centro, entretanto a uma caminhada de 10 minutos de distancia. O Athenaeum Grand Hotel além de oferecer quartos com vista para a Acrópole (atenção! não são todos os quartos que possuem vista), tinha café da manhã e estacionamento incluídos na diária.
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Arco de Adriano: construído em 131 d.C. com cerca de 18 metros de altura, o que o torna ainda mais interessante é o seu significado histórico. Em cada lado havia uma inscrição: de um lado, “Esta é Atenas, a antiga cidade de Teseu”; do outro, “Esta é a cidade de Adriano, e não de Teseu”. Mais do que uma homenagem ao imperador, o monumento representava a expansão e a modernização da cidade promovidas por ele.
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National Garden: um refúgio verde no coração de Atenas. O parque foi criado no século XIX por iniciativa da rainha Amália, a primeira rainha da Grécia moderna, e durante muitos anos fez parte dos jardins do antigo Palácio Real. Além de ser um espaço agradável para descansar, o National Garden também tem um valor histórico por representar um dos primeiros grandes projetos paisagísticos da Atenas moderna, simbolizando a transformação da cidade após a independência da Grécia.


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Praça Syntagma: é nesse local onde você vai poder acompanhar a troca da guarda. Pode parecer um passeio bastante turístico (e realmente é), mas vale assistir pelo menos uma vez. Os soldados da Guarda Presidencial usam um uniforme tradicional bastante curioso, com saias, tamancos e pompons nos sapatos. A cerimônia acontece diariamente, mas aos domingos ela é ainda mais completa. É na frente do Parlamento que está o Túmulo do Soldado Desconhecido – um memorial em homenagem aos soldados gregos que morreram em combate sem serem identificados.

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Pandrossou Market: abriga um dos mercados de rua mais tradicionais de Atenas, reunindo pequenas lojas que vendem de tudo um pouco: artesanato, cerâmicas, sandálias de couro feitas à mão, joias, azeites, temperos, sabonetes de oliva e lembrancinhas típicas da Grécia. Entre uma vitrine e outra, você encontra cafés, padarias e pequenas tavernas que convidam a fazer uma pausa e observar o movimento. Mesmo que você não pretenda comprar nada, caminhar pela Pandrossou é uma forma de vivenciar um lado mais autêntico de Atenas, misturando história, comércio tradicional e o ritmo descontraído do dia a dia dos moradores.
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Biblioteca de Adriano: apesar do nome, a Biblioteca de Adriano era muito mais do que um lugar para guardar livros. Construída pelo imperador Adriano em 132 d.C., ela funcionava como um grande centro cultural da Atenas romana, reunindo salas de leitura, espaços para estudos, jardins e áreas de convivência. A visita costuma ser rápida e se não fizer questão de entrar no sítio arqueológico, dá para ver muita coisa pelo lado de fora.

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Ágora Romana: quando Atenas passou a fazer parte do Império Romano, surgiu a necessidade de criar um novo centro para as atividades comerciais da cidade. Foi assim que nasceu a Ágora Romana, um amplo mercado onde aconteciam negociações, encontros e o dia a dia da vida econômica ateniense. O destaque do complexo é a Torre dos Ventos, considerada uma das primeiras estações meteorológicas do mundo. O monumento octogonal possuía relógio de água, relógio de sol e relevos representando os oito ventos da Antiguidade, mostrando como engenharia e ciência já faziam parte da rotina da cidade há quase dois mil anos.
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Praça Monastiraki: funciona como um grande ponto de encontro da cidade e conecta alguns dos bairros mais interessantes para explorar a pé, como Plaka, Psiri e a região da Ágora. Durante o dia, o movimento é intenso, com artistas de rua, turistas, moradores e o famoso mercado de antiguidades nas ruas ao redor. Já à noite, o clima muda completamente: bares, restaurantes e cafés ficam cheios, criando um ambiente animado e descontraído.

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Templo de Hefesto: um dos templos gregos mais bem preservados do mundo. Localizado na Ágora Antiga, ele foi construído no século V a.C. em homenagem a Hefesto, o deus do fogo, da metalurgia e dos artesãos. Além da importância histórica, o passeio até a Ágora Antiga é muito agradável. O local tem bastante área verde, trilhas e belas vistas da Acrópole, tornando a visita uma das mais tranquilas e agradáveis da cidade.


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Acrópole: é impossível falar de Atenas sem começar pelo seu principal cartão-postal. O plano era iniciar o dia na Acrópole, mas nós deixamos para comprar os ingressos em cima da hora, e a janela entre 08:00-10:00 já estava indisponível. Compramos o ingresso para entrar às 16:00, e foi relativamente tranquilo visitar o local. Ver o Partenon de perto é uma experiência difícil de explicar. Você passa anos vendo fotos daquele lugar e, quando finalmente chega ali, entende por que ele atravessou tantos séculos e continua impressionando.





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Anafiotika: pouca gente imagina que existe um pedacinho das Cíclades bem no meio de Atenas. Anafiotika é um pequeno bairro escondido nas encostas da Acrópole, construído por trabalhadores vindos da ilha de Anafi no século XIX. As ruas são tão estreitas que, em alguns trechos, duas pessoas quase não conseguem passar lado a lado. Casinhas totalmente brancas, portas azuis, vasos com flores e um silêncio que contrasta completamente com o movimento da cidade. É um daqueles lugares que parecem feitos para serem descobertos por acaso.






Desça em direção ao bairro de Plaka, e na minha opinião, essa é a parte mais gostosa da cidade para explorar sem roteiro. As ruas estreitas, as casas coloridas, as buganvílias nas fachadas e as lojinhas de produtos locais criam aquele clima mediterrâneo que faz a gente querer andar sem olhar o relógio. É um ótimo lugar para comprar azeites, temperos, cerâmicas artesanais e, claro, sentar em uma varanda para experimentar uma moussaka ou um souvlaki acompanhado de uma taça de vinho grego. Não tenha pressa. Em Atenas, caminhar também faz parte do passeio.
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Kidathineon: considerada uma das vias mais antigas e tradicionais de Atenas, ela concentra cafés, tavernas, pequenas galerias, lojas de artesanato e edifícios históricos que preservam o charme do século XIX. É um ótimo lugar para fazer uma pausa para um café grego, experimentar uma refeição típica em uma taverna ou apenas observar o movimento de moradores e visitantes entre as fachadas coloridas e as árvores que oferecem sombra nos dias mais quentes.


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Nós acabamos não assistindo o por do sol pois o céu estava um pouco nublado. Mas existem 3 pontos que são bastante recomendados: da própria Acrópole, do Monte Licabeto (pode subir caminhando – prepare o fôlego – ou utilizar o funicular) ou do Philopappos Hill.
Se você tiver tempo e gosta de conhecer o lado mais local dos destinos, coloque o bairro Psiri no roteiro. Durante o dia, ele tem um clima tranquilo, com pequenas galerias, cafés e lojas independentes. À noite, ganha vida. Os bares se enchem de moradores, a música toma conta das ruas e a sensação é de estar vivendo uma Atenas muito mais autêntica do que turística. Vale a pena escolher um restaurante sem pesquisar muito e simplesmente entrar naquele que estiver cheio de gregos.
Não deixe de explorar Atenas também através da comida. Uma das melhores lembranças da cidade certamente será a gastronomia. Não deixe de experimentar: Moussaka, Souvlaki, Spanakopita, Tzatziki, Dolmades e Loukoumades (uma espécie de bolinho com mel).
E, sempre que possível, escolha restaurantes um pouco afastados das ruas principais. Na maioria das vezes, você encontra uma experiência muito mais autêntica. Nós particularmente gostamos muito de um pequeno restaurante chamado Aspro Alogo (tem pouquíssimas mesas, comida caseira muito saborosa), e Restaurante Scholarhio (mais turístico, a noite tinha fila de espera).
Como mencionei no início, Atenas nos superou nossas expectativas. Não é uma cidade que impressiona apenas pelos monumentos, ela conquista pelos detalhes: pelas conversas nas tavernas, pelos cafés sempre cheios, pelas ruas onde a história aparece sem fazer esforço, pelos bairros que parecem pequenas vilas escondidas, e pela sensação de que, mesmo sendo uma das cidades mais antigas do mundo, continua extremamente viva.
Quando muita gente pensa na Grécia, imagina apenas Santorini ou Mykonos. Mas a verdade é que conhecer Atenas antes de seguir para as ilhas faz toda a diferença. Ela ajuda a entender o país, sua cultura e sua história — e ainda entrega experiências que vão muito além dos cartões-postais.
No fim das contas, talvez seja justamente isso que torna Atenas tão especial.