Eslovênia

Se preparar para uma aventura na estrada é sempre emocionante, ainda mais quando a família inteira está a bordo. Eu, meu marido e nossa cachorra partimos de carro da Alemanha, fizemos uma breve para na Áustria e viajamos por oito dias seguindo um roteiro incrível pela Eslovênia, uma joia pouco explorada da Europa Central, mas que aos poucos está se tornando mais popular. Nossa meta era desvendar o máximo de lugares possível, mergulhando de cabeça em experiências autênticas, provando a culinária local e explorando esse país que foi uma grata surpresa. Optamos por fazer essa viagem na última semana de Agosto/primeira de Setembro, quando o verão europeu está quase no fim – e assim evitar ao máximo multidões.

A Eslovênia, apesar de ser um país relativamente pequeno, com uma área de aproximadamente 20.273 km² (quase o tamanho do estado de Sergipe), surpreende pela sua diversidade. Sua população de pouco mais de 2,1 milhões de habitantes resulta em uma densidade demográfica de cerca de 102 pessoas por km², o que significa que, fora das cidades, é fácil encontrar paisagens abertas e tranquilas. Membro da União Europeia desde 2004 e da Zona do Euro desde 2007, a moeda oficial é o Euro (€), o que simplificou muito nossa viagem. O país é um dos mais ricos da região, com um Produto Interno Bruto (PIB) per capita que reflete um alto padrão de vida. Além disso, a Eslovênia é conhecida por ter uma das maiores coberturas florestais da Europa, com mais de 60% do seu território coberto por árvores, garantindo o cenário verde e exuberante que tanto nos encantou.

No mapa abaixo você vai encontrar os principais pontos do nosso roteiro:

Para sua viagem de carro, é fundamental adquirir a Vignette: um sistema de pedágio em que você paga uma taxa pré-determinada por um período de tempo, em vez de pagar a cada vez que usa uma rodovia. Na Eslovênia, a Vignette é obrigatória para todos os veículos que utilizam as autoestradas e vias expressas do país. O objetivo é arrecadar fundos para a manutenção, construção e melhoria da rede viária nacional. É possível comprar o adesivo em pontos de venda, mas também online sem a necessidade de colocar o adesivo no carro (clique aqui para acessar o site oficial). Como passamos pela Áustria, nós também tivemos que comprar a Vignette para viajar nas estradas por lá.

Importante ressaltar também que a maior parte dos estacionamentos na Eslovênia são pagos; você pode pagar direto nas máquinas, ou através do aplicativo EasyPark – que achamos ótimo, pois você tem a opção de estender o tempo de duração sem ter que voltar para o carro.

Fomos surpreendidos positivamente em 2 aspectos:

  1. A facilidade na comunicação em inglês – o dono da vinícola que visitamos nos explicou que desde os 6 anos, os eslovenos aprendem a falar inglês na escola, já que o setor de serviços (incluindo o turismo) é o mais importante na economia do país.
  2. A Eslovênia é um país pet friendly – a maior parte das atrações turísticas, hotéis (ás vezes por uma taxa extra) e restaurantes aceitam animais de estimação.

Por falar em hotéis, é obrigatório o pagamento da taxa turística; não conseguimos descobrir um padrão, cada cidade nos cobrava um valor diferente (entre 2-3€ por noite) e geralmente é paga no momento do check-in ou check-out, à parte do valor da diária.

A seguir, você vai encontrar mais detalhes do que fizemos em cada cidade/região que visitamos.

Ljubljana e Škofja Loka (1 dia)

Capital da Eslovênia, foi nosso primeiro destino da viagem. No topo da cidade está o Castelo de Liubliana, e animais de estimação não são permitidos na área interna, então nos limitamos a conhecer os arredores e o pátio. Na parte de baixo da cidade, a Prešernov trg pode ser seu ponto de partida – é uma praça onde acontecem os principais eventos da cidade. Seguindo em direção ao castelo, está a Mestni trg (Praca da cidade) onde esta localizada a Robbov vodnjak (fonte barroca) e a Mestna hiša (Prefeitura). Na rua Ciril-Metodov trg estão localizados restaurantes com mesas na calçada e lojas de souvenir; ali também está a Stolnica Sv. Nikolaj (Catedral de São Nicolas). No final dessa rua está a praça onde diariamente acontece a feira ao ar livre, com comidas e barracas de frutas,  legumes, queijo, entre outros. Próxima dali está a Zmajski most (Ponte do Dragão), um dos símbolos mais icônicos de Liubliana e uma das primeiras pontes de concreto construída na Europa.

Škofja Loka é uma das cidades medievais mais bem preservadas da Eslovênia, muito próxima a Liubliana. Sua história remonta ao século X, e o centro histórico é um dos mais antigos e charmosos do país. Caminhando pelo centro histórico da cidade, você passará pela Mestni trg (Praça da Cidade) e a Spodnji trg (Praça da Baixa). As casas coloridas, as fachadas e as igrejas góticas criam uma atmosfera que remete a séculos atrás. No topo da colina está o Castelo de Loka, o ponto principal da paisagem na cidade. Outro ponto icônico é a Kamnit most, a ponte medieval mais antiga da Eslovênia.

Parque Nacional do Triglav (4 dias)

É no parque que você vai encontrar um dos lugares mais icônicos da Eslovênia: o Lago Bled. A dica principal é chegar cedo (antes das 10:00) para evitar o transito e conseguir estacionar com mais facilidade (por acaso, paramos o carro no estacionamento do Castelo de Bled). A caminhada ao redor do lago totaliza 6 km, e a paisagem vai mudando conforme você contorna ele. Se você colocar no Google: Velika Zaka, é um dos lugares mais legais para descansar e dar um mergulho na prainha; ali perto também está a entrada da trilha para o mirante Mala Osojnica – a subida é bem íngreme, mas com calma pode ser feita em 20-30 minutos, e vale muito a pena. Além disso, é possível pegar um barco e visitar a ilha no meio do lago, mas nós optamos por não fazer esse passeio.

Próximo ao Lago Bled, está Vintgar Gorge, o desfiladeiro mais popular da região. Apesar de ser recomendado comprar o ingresso com antecedência no site (animais de estimação são permitidos), se você se planejar para ir antes das 08:00 ou depois das 15:00, normalmente terá disponibilidade e menos pessoas ao longo do percurso. Existem duas opções de estacionamento: (1) estacionamento bem amplo e grátis mas mais distante, sendo necessário utilizar o shuttle até a entrada, ou (2) estacionamento com vagas limitadas e pago (10€), mas a poucos passos da entrada. Entramos às 16:25, e percorremos 1,6km até o final do desfiladeiro. Para voltar, você tem 2 opções: (1) caminho mais longo – total de 4,1km, ou (2) caminho mais curto – total de 2,7km. Optamos pelo caminho mais curto, e subimos aproximadamente 2,3km para depois descer 400 metros até a entrada.

Um pouco mais adiante (mais ou menos 40-45 minutos de carro), está localizado o Lago Bohinj – uma alternativa menos popular, mas tão incrível quanto o Lago Bled. São 12 km para contorná-lo, e passamos bastante tempo na praia (se colocar no Google: Tandem Bohinj paragliding – LoopTeam, você vai encontrar um estacionamento que fica bem próximo do melhor local para banho). Se quiser, é possível ir até a Cachoeira Savica durante a caminhada. Acabamos desistindo da cachoeira por 2 motivos: (1) nas avaliações do Google, mencionam que precisa subir vários degraus para acessá-la, e achamos que não era muito adequado para nossa cachorra, e (2) o proprietário do Airbnb disse que tiveram casos de cachorros que passaram mal depois de fazer esse passeio, com suspeitas de que foi algo relacionado à água.

Uma opção interessante de cachoeira é a Slap Peričnik. Para acessá-la você pode: (1) estacionar na beira da estrada, a 50 metros da cancela onde é feito o controle de quem entra, e subimos até a entrada da cachoeira a pé – tem uma trilha de 3,7 km bem estruturada, ou (2) se não quiser fazer este trecho a pé, você pode estacionar de graça no museu do vilarejo, e um shuttle te deixa na entrada da cachoeira. A partir da estrada, são mais ou menos 15-20 minutos de subida.

A cidade de Kranjska Gora é o ponto de partida para visitar a Reserva Natural Zelenci e o Lago Jasna. É também onde inicia a Vršič Pass, uma estrada extremamente sinuosa que conecta Kranjska Gora ao Vale do Rio Soča e à cidade de Bovec. Essa estrada é fechada durante o inverno (por conta da neve), então é importante pesquisar com antecedência se será possível passar por ela no período em que você estiver na Eslovênia. As curvas são todas numeradas, e se você pesquisar na internet, existem várias dicas de quais são as melhores paradas. É nessa estrada que você vai encontrar a Ruska kapelica (Capela Russa), um memorial de madeira construído em homenagem aos que morreram durante sua construção. A partir de um certo ponto, a estrada passa em paralelo ao Rio Soča, e você pode parar ao longo do percurso para tirar fotos e até mergulhar no rio. O ponto de parada mais famoso é o Velika korita Soče, mas como você deve imaginar, é também o mais concorrido.

As cidades de Bovec e Kobarid são as mais utilizadas para pernoite na região. Entre elas estão as cachoeiras: (1)  Slap Virje – grátis, trilha curta de 5-10 minutos para acessá-la a partir do estacionamento, (2) Slap Boka – grátis, pode ser vista da estrada e a trilha até o mirante é de 10-15 minutos, e (3) Slap Kozjak – paga, trilha de 15-20 minutos para acessá-la a partir do estacionamento de graça próximo ao Camping Lazar. Próximo da Cachoeira Kozjak, está a Napoleonov most (Ponte de Napoleão), que compõe uma paisagem muito bonita – ambos são acessíveis através da Kobarid History Trail (clique aqui para saber mais detalhes).

Neste percurso você também pode: apreciar a paisagem a partir de Spomenik padlim v NOB in žrtvam fašizma – uma vista linda da cidade de Drežnica; mergulhar no Rio Soča em diversos pontos da estrada; visitar Tolmin Gorge, um desfiladeiro similar ao Vintgar Gorge; e fazer uma parada na cidade de Most na Soci.

Vale de Vipava e Postjona (1 dia)

Se você aprecia um bom vinho, a dica é fazer uma parada ou passar uma pernoite na região de Vipava. Essa região possui vários produtores de vinho, que oferecem tour com degustação a partir de 25€. A vinícola que visitamos e fomos super bem atendidos, foi a Vina Povh | Wines Povh. A 30 minutos de carro da região das vinícolas, está o icônico Castelo de Predjama, construído na gruta de um penhasco. Os arredores já são de tirar o folego, você vai pagar 6€ para estacionar, e se quiser fazer a visita na arte interna, terá que pagar o valor do ingresso – o valor varia de acordo com o pacote que você escolhe (clique aqui para saber os valores); por exemplo, é possível comprar um ingresso combinando o castelo, com a Caverna de Postojna. Sentido litoral, também estão localizadas as Grutas de Škocjan (clique aqui para saber mais). Todos estes locais não permitem animais de estimação, em alguns casos oferecem serviço de canil – pesquise bem para garantir que seu melhor amigo vai estar bem acomodado.

Piran (1 dia)

E quem disse que Eslovênia não tem praia? Bem, não espere encontrar praias com vastas faixas de areia branca e coqueiros. Em geral, são praias de pedra, a faixa para ficar é bem estreita e tem pouca ou nenhuma sombra. Mas ainda assim, vale a pena conhecer essa outra faceta da Eslovênia. Piran e Potoroz são as cidades mais populares e relativamente pequenas, portanto mais caras para se hospedar (uma alternativa é se hospedar em Koper). Tudo é muito perto, porém a cidade fica em um morro; ou seja, você vai precisar descer – e depois subir – para se locomover da hospedagem até a praia.

Existem algumas praias que você pode experimentar; a Praia Fiesa pode ser uma boa opção para quem tem animais de estimação, além de ser o ponto de partida para uma caminhada beirando o mar pela Pešpot Piran, calçadão à beira mar que leva até o Piranski svetilnik (Farol de Piran). No meio do caminho, você vai passar pelo Zvonik, campanário da Cerkev svetega Jurija (Igreja de São Jorge); desse local a vista da cidade é muito bonita, e também é possível visitar Obzidje Piran, as muralhas da cidade. Descendo pelas ruas da cidade, o caminho volta a beirar o oceano no nível do mar, mais próximo da ponta da cidade, onde existem vários bares e restaurantes com vista para o mar, até finalmente você chegar no Piranski svetilnik, farol da cidade. É na parte de baixo que também é possível visitar a praça central Tartinijev trg.

No litoral é muito comum você encontrar restaurantes que são somente para retirada – você escolhe o prato, e eles te entregam em marmitas de alumínio para você comer em algum lugar da cidade. O lugar que nos indicaram foi o Fritolin Pri Cantini, que aparece bem avaliado no Google.

Logarska Dolina (1 dia)

Essa é uma região montanhosa, cheia de trilhas, e com paisagens de tirar o folego. A estrada é sinuosa, e dá acesso a lugares bem pitorescos, como Velika Planina – famosa por ser uma das poucas aldeias de pastores que ainda existem na Europa, onde os pastores levam seus rebanhos para pastar durante a primavera e o verão. O local é conhecido pelas suas cabanas de madeira de formato oval, com telhados de telha. É possível chegar ao topo de teleférico, por trilhas ou de carro – existe estacionamento pago, mas é necessário caminhar para chegar no vilarejo.

Mais próximo da fronteira com a Áustria, ainda nas montanhas Kamnik-Savinja, está o Logar Valley – um vale glacial alpino. O acesso de carro é controlado, e é cobrada uma taxa de 10€ por veículo que é utilizada para preservação e manutenção do parque. Além das inúmeras trilhas, a principal atração é a Slap Rinka, a cachoeira mais alta da Eslovênia. Do estacionamento até a base da cachoeira, são 10-15 minutos de subida íngreme, por uma trilha bem estruturada.

A Eslovênia nos marcou como um país surpreendentemente diverso. Desde as paisagens de montanha do Parque Triglav e do Vale de Logar, as águas cristalinas dos seus rios e lagos, e o Castelo de Predjama. Em cada cidade que paramos, de Liubliana à charmosa Piran, e até as vinícolas de Vipava, a Eslovênia nos recebeu com uma mistura de cultura e natureza. A experiência nos mostrou que é um país onde a tranquilidade e a aventura coexistem, e que é possível se apaixonar por suas paisagens e pelo seu povo em poucos dias.

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